A escolha do lugar para a construção da intervenção efêmera foi uma atividade bastante desafiadora, sendo guiada por meio de vários diálogos em grupo para se chegar em um consenso. Inicialmente, o grupo ao qual participava estava em dúvida entre a escolha do espaço que continha o forno de cerâmica ou o Anfiteatro da Mata, em que este acabou sendo elegido devido eventuais empecilhos para o acesso ao primeiro espaço mencionado. Mediante a essas colocações, acredito ser válido mencionar que queria muito desenvolver o proposta de intervenção na Casa da Arqueologia, pois acabei criando um certo valor sentimental com o espaço, entretanto os riscos estruturais identificados no local acabou dificultando. Portanto, com o intuito de não deixar esse lugar passar despercebido, acabei decidindo fazer um desenho imersivo dele, que pode ser encontrado em uma postagem anterior.
Eleger o Anfiteatro da Mata como uma opção para a construção da intervenção, ocorreu por ser um ambiente que favorece para a construção de uma espacialidade de imersão e tranquilidade. Apesar de estar localizado no meio da vegetação, que contribui para instaurar uma sensação de mistério, de desconhecido e de perdição, ao adentrar nesse espaço, o som das folhas, a entrada de luz fragmentada e o frescor do espaço cria uma espacialidade de segurança, de proteção, de reflexão, de tranquilidade e até mesmo lúdico. Posteriormente, mediante às dificuldades encontradas no processo de desenvolvimento do trabalho, me levaram trocar de grupo, portanto as atividades desenvolvidas da metade ao fim do processo será relacionadas ao espaço do Jardim Sensorial.
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| Anfiteatro da Mata (acervo pessoal) |
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| Anfiteatro da Mata (acervo pessoal) |
Ao visitar o Jardim Sensorial pela primeira vez, a sensação que tive foi que o espaço era bastante camuflado, portanto minha ida ao local ocorreu por meio do convite de uma amiga. Logo na entrada do espaço nos deparamos com um pórtico que cria uma divisão brusca do espaço, delimitando inicia e fim entre duas espacialidades, além disso ele contém um portão que demonstra que aquele espaço pode se torna restrito a qualquer momento, rompendo com a ideia convidativa sobre a qual a construção do Jardim Sensorial está pautada. Ao entrar no espaço, nos deparamos com uma configuração espacial que simula um corredor, que se assemelha a um túnel no qual o percurso não é contemplativo, logo conduz intuitivamente o visitante até o Jardim Sensorial, instaurando uma visão do espaço como um lugar de passagem. Portanto o espaço vazio entre o Orquidário e a estufa se torna desprezível, como se houvesse uma parede invisível que isola aquele local, até mesmo por não ter uma infraestrutura ou elementos que colabore para a utilização segundo o conceito de "Polivalência" de Hertzberger (1996).
O Jardim Sensorial é um espaço que contém uma variedade de plantas, com texturas, cheiros e gostos bem distintos, por isso ao experimentar cada planta é despertado uma sensação distinta no indivíduo. A impressão que tive foi que cada planta exalava uma essência que possui o visitante gradativamente ao longo do processo de experimentação do espaço, contudo, mais uma vez, devido a configuração espacial, a percepção que tive foi que essas vivências ficavam restritas a esse espaço, como se existisse uma cúpula invisível que retinha-as. Haja vista que o Jardim Sensorial busca estimular o sentido dos visitantes através das plantas, surge um ponto: "como ampliar no espaço essa experiência, externalizando essas sensações, de forma que ela se dilua com a parte exterior, ao mesmo tempo que se torne visível e atraia o visitante para dentro do local?"
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| Entrada do Jardim Sensorial (acervo do grupo) |
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| Transição da entrada até o Jardim Sensorial (acervo do grupo) |
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| Espaço entre o Orquidário e a estufa (acervo do grupo) |
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| Jardim Sensorial (acervo do grupo) |
Até mais, valeu!
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