domingo, 5 de junho de 2022

💭 SINTEGRAÇÃO SOBRE ABERTURA 💭

Na aula, do dia 30 de maio de 2022, foi proposto pelos professores a realização de uma dinâmica de sintegração, que consistia na construção de um debate, permeado por uma questão específica, na qual os alunos poderiam compartilhar informações relevantes ou conhecimentos sobre o tema proposto. A estruturação dos grupos se deu com uma média de 10 alunos, em que 5 alunos eram responsáveis por atuar de forma ativa na discussão, durante um período de 20 minutos; 3 alunos deveriam fazer uma análise crítica ao final de cada rodada, com duração de 5 minutos; e 2 alunos eram observadores, sendo assim, deveriam acompanhar a discussão com um olhar "de fora", buscando fazer um relato imparcial. Ao todo foram realizadas 4 rodadas de discussão, em que cada aluno ocupou um dos papéis pelo menos uma vez.

Na primeira rodada, o papel assumido por mim foi de debatedor, haja vista que deveríamos "discutir as possibilidades de interfaces com as quais as próprias pessoas engajem para dar continuidade na produção (como proposto por Haque), tendo em mente a mudança de foco do produto para o processo (como proposto por Jones)". O início da dinâmica se apresentou de uma forma bem, mas na medida em que foi colocado as questões apresentadas pelos autores, em seus respectivos textos, a discussão foi se complexificando e incorporando situações do cotidiano. Como levantado no debate, as nossas vivências são consolidadas por meio da interação entre indivíduo e espaço que resulta em uma rede de necessidades, na qual buscam ser supridas por objetos com funcionalidades cada vez mais específicas, que restringe cada vez mais as possibilidades de uso e se tornando obstáculos. Portanto, ao levar em consideração a questão levantada, torna-se evidente a necessidade de se voltar mais para o processo de construção, do que meramente focar na cristalização de uma funcionalidade, buscando estabelecer um processo aberto que vai sendo construído e incorpora significado por meio do uso pelas pessoas.

Na segunda rodada, novamente como debatedor, buscamos "problematizar as possibilidades na cidade tanto do modelo convencional de arquitetura, pautado por produção–consumo, quanto do modelo alternativo, no qual o ocupante tem papel principal na configuração do espaço que habita (conforme proposto por Haque)". Mediante a essa questão, a questões base mencionada no debate foi como muitas das vezes o arquiteto, como "o técnico a favor da sociedade", acaba negligenciando seu papel, prezando pela supremacia do conhecimento técnico em comparação com as vivências pessoais, ao elaborar proposições para lidar com problemas socioespaciais. O indivíduo deve ser considerado como parte do processo de configuração espacial, pois como demonstrado por Hertzberger (1996) ao abrirmos possibilidades para a expressão, desperta-se uma consciência de responsabilidade, ao mesmo tempo reforça uma rede de interações, gerando espaços ativos. Tendo em mente que "o planejamento físico pode influenciar imersamente o padrão de uso em regiões e áreas urbanas específicas" (GEHL, 2013, p.17), deve-se compreender o espaço como devir (MASSEY, 2004), logo, torna-se necessário à sua construção pautada na ideia de bem comum, para que o caos não seja instaurado.

Na terceira rodada, o papel assumido por mim foi de crítico, sobre a temática " 'objeto' (quase-objeto, não-objeto) como obstáculo para remoção de obstáculos pensando em como obstaculizar o mínimo possível". Nesse momento foi necessária uma mudança “de lado”, em que eu deixo de selecionar argumentos para expressar a minha compreensão sobre o assunto e passo estar imerso no ponto de vista dos debatedores, ao mesmo tempo que busco entender sobre o assunto e identificar limitações nas suas abordagens. De acordo com eles, as noções da programática já estar submersa no espaço, pois não se pode prever os acontecimentos futuros. Mediante a essa colocação, cabe uma reflexão crítica pautada nos argumentos apresentados no parágrafo anterior, será que o espaço não influência no "acaso"? será que os acontecimentos se associam ao conceito de "Tábula Rasa", ou seja, surge do nada, sem justificativas? se há uma necessidade de abertura das interfaces, como fazer isso? e acima de tudo, como fazer isso sem prescrever o evento, ou seja, sem ditar o comportamento dos usuários. Acredito que essas colocações mereçam ser refinadas, para que possa enriquecer ainda mais o debate.

Já na última rodada, eu assumi o papel de observador, em que deveria acompanhar o debate sobre "o que é entendido como objeto/ quase-objeto/ não-objeto". Como observador, acredito minha função se assemelha a de um narrador observador, em que apenar observo os fatos para um possível relato, que por mais que vise ser o mais imparcial possível, ainda sim abre brechas para aspectos subjetivos, já que a ação é construída segundo a minha percepção. Como colocado pelos debatedores, o objeto pode ser entendido como algo que possui uma forte relação entre a forma e o uso; o quase-objeto seria uma tendência ao abstrato, em que não se tem uma forma bem definida, mas, ainda sim, há uma tentativa de atribuição de significados; e não objeto seria algo que surge com a finalidade de se apresentar, com utilidades em abertas, que incorpora significado mediante o uso. De acordo com os críticos, as definições se apresentaram de forma pertinente, porém houve uma falha na delimitação dos termos. Ademais, parabenizaram a menção do movimento dadaísta, que ia contra a percepção da produção baseada racionalidade, como uma colocação complementar ao debate.

Portanto, mediante a todas as colocações apresentadas nesse texto, deve-se ter em mente que cabe ao arquiteto a proposição de "espaços generosos", que abra para possibilidades de usos, ao mesmo tempo que induza o usuário atuar sobre ele de forma exploratória, sem pré-determinar as suas ações (eventos), reforçando a ideia de "virtual" (BALTAZAR, 2005) e "caixa preta", em que o que verdadeiramente importa é o "input" e o "output". Mas também, deve-se ter em mente que o objetivo não é partir do conceito de "Tábula Rasa", pois todo projeto está vinculado a uma intenção.

https://slideplayer.com.br/slide/1236901/

Referências Bibliográficas

BALTAZAR, Ana Paula & CABRAL FILHO, José dos Santos. Magia além da ignorância: virtualizando a caixa preta. In: Anais do FAD — festival de arte digital. Belo Horizonte: Instituto Cidades Criativas, 2011. 

BALTAZAR, Ana Paula. Por uma arquitetura virtual. A&U — Arquitetura e Urbanismo, n. 131, pp. 57–60, 2005.

HERTZBERGER, Herman. Lições de Arquitetura. 1. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996. 1-272 p.

J GEHL (2013). Cidades para pessoas. Vol. 2. São Paulo: Perspectiva, 2013.

MASSEY, D (2004). Filosofia e política da espacialidade: algumas considerações. Em GEOgraphia - Ano 6 - N. 12 de 2004.

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