Na aula, do dia 30 de maio de 2022, foi
proposto pelos professores a realização de uma dinâmica de sintegração, que
consistia na construção de um debate, permeado por uma questão específica, na
qual os alunos poderiam compartilhar informações relevantes ou conhecimentos
sobre o tema proposto. A estruturação dos grupos se deu com uma média de 10
alunos, em que 5 alunos eram responsáveis por atuar de forma ativa na discussão,
durante um período de 20 minutos; 3 alunos deveriam fazer uma análise crítica
ao final de cada rodada, com duração de 5 minutos; e 2 alunos eram
observadores, sendo assim, deveriam acompanhar a discussão com um olhar
"de fora", buscando fazer um relato imparcial. Ao todo foram
realizadas 4 rodadas de discussão, em que cada aluno ocupou um dos papéis pelo
menos uma vez.
Na primeira rodada, o papel assumido por
mim foi de debatedor, haja vista que deveríamos "discutir as
possibilidades de interfaces com as quais as próprias pessoas engajem para dar
continuidade na produção (como proposto por Haque), tendo em mente a mudança de
foco do produto para o processo (como proposto por Jones)". O início da
dinâmica se apresentou de uma forma bem, mas na medida em que foi colocado as
questões apresentadas pelos autores, em seus respectivos textos, a discussão
foi se complexificando e incorporando situações do cotidiano. Como levantado no
debate, as nossas vivências são consolidadas por meio da interação entre indivíduo
e espaço que resulta em uma rede de necessidades, na qual buscam ser supridas
por objetos com funcionalidades cada vez mais específicas, que restringe cada
vez mais as possibilidades de uso e se tornando obstáculos. Portanto, ao levar
em consideração a questão levantada, torna-se evidente a necessidade de se
voltar mais para o processo de construção, do que meramente focar na
cristalização de uma funcionalidade, buscando estabelecer um processo aberto
que vai sendo construído e incorpora significado por meio do uso pelas pessoas.
Na segunda rodada, novamente como
debatedor, buscamos "problematizar as possibilidades na cidade tanto do
modelo convencional de arquitetura, pautado por produção–consumo, quanto do
modelo alternativo, no qual o ocupante tem papel principal na configuração do
espaço que habita (conforme proposto por Haque)". Mediante a essa questão,
a questões base mencionada no debate foi como muitas das vezes o arquiteto,
como "o técnico a favor da sociedade", acaba negligenciando seu
papel, prezando pela supremacia do conhecimento técnico em comparação com as
vivências pessoais, ao elaborar proposições para lidar com problemas
socioespaciais. O indivíduo deve ser considerado como parte do processo de
configuração espacial, pois como demonstrado por Hertzberger (1996) ao abrirmos
possibilidades para a expressão, desperta-se uma consciência de
responsabilidade, ao mesmo tempo reforça uma rede de interações, gerando
espaços ativos. Tendo em mente que "o planejamento físico pode influenciar
imersamente o padrão de uso em regiões e áreas urbanas específicas" (GEHL,
2013, p.17), deve-se compreender o espaço como devir (MASSEY, 2004), logo,
torna-se necessário à sua construção pautada na ideia de bem comum, para que o
caos não seja instaurado.
Na terceira rodada, o papel assumido por
mim foi de crítico, sobre a temática " 'objeto' (quase-objeto, não-objeto)
como obstáculo para remoção de obstáculos pensando em como obstaculizar o
mínimo possível". Nesse momento foi necessária uma mudança “de lado”, em
que eu deixo de selecionar argumentos para expressar a minha compreensão sobre
o assunto e passo estar imerso no ponto de vista dos debatedores, ao mesmo
tempo que busco entender sobre o assunto e identificar limitações nas suas
abordagens. De acordo com eles, as noções da programática já estar submersa no
espaço, pois não se pode prever os acontecimentos futuros. Mediante a essa
colocação, cabe uma reflexão crítica pautada nos argumentos apresentados no
parágrafo anterior, será que o espaço não influência no "acaso"? será
que os acontecimentos se associam ao conceito de "Tábula Rasa", ou
seja, surge do nada, sem justificativas? se há uma necessidade de abertura das
interfaces, como fazer isso? e acima de tudo, como fazer isso sem prescrever o
evento, ou seja, sem ditar o comportamento dos usuários. Acredito que essas
colocações mereçam ser refinadas, para que possa enriquecer ainda mais o
debate.
Já na última rodada, eu assumi o papel
de observador, em que deveria acompanhar o debate sobre "o que é entendido
como objeto/ quase-objeto/ não-objeto". Como observador, acredito minha
função se assemelha a de um narrador observador, em que apenar observo os fatos
para um possível relato, que por mais que vise ser o mais imparcial possível,
ainda sim abre brechas para aspectos subjetivos, já que a ação é construída
segundo a minha percepção. Como colocado pelos debatedores, o objeto pode ser
entendido como algo que possui uma forte relação entre a forma e o uso; o
quase-objeto seria uma tendência ao abstrato, em que não se tem uma forma bem
definida, mas, ainda sim, há uma tentativa de atribuição de significados; e não
objeto seria algo que surge com a finalidade de se apresentar, com utilidades
em abertas, que incorpora significado mediante o uso. De acordo com os críticos,
as definições se apresentaram de forma pertinente, porém houve uma falha na
delimitação dos termos. Ademais, parabenizaram a menção do movimento dadaísta,
que ia contra a percepção da produção baseada racionalidade, como uma colocação
complementar ao debate.
Portanto, mediante a todas as colocações apresentadas nesse texto, deve-se ter em mente que cabe ao arquiteto a proposição de "espaços generosos", que abra para possibilidades de usos, ao mesmo tempo que induza o usuário atuar sobre ele de forma exploratória, sem pré-determinar as suas ações (eventos), reforçando a ideia de "virtual" (BALTAZAR, 2005) e "caixa preta", em que o que verdadeiramente importa é o "input" e o "output". Mas também, deve-se ter em mente que o objetivo não é partir do conceito de "Tábula Rasa", pois todo projeto está vinculado a uma intenção.
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Referências Bibliográficas
BALTAZAR,
Ana Paula & CABRAL FILHO, José dos Santos. Magia além da ignorância:
virtualizando a caixa preta. In: Anais do FAD — festival de arte digital. Belo
Horizonte: Instituto Cidades Criativas, 2011.
HERTZBERGER, Herman. Lições de Arquitetura. 1. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1996. 1-272 p.
J GEHL (2013). Cidades para pessoas. Vol. 2. São Paulo: Perspectiva, 2013.
MASSEY, D (2004). Filosofia e política da espacialidade: algumas considerações. Em GEOgraphia - Ano 6 - N. 12 de 2004.
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